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Na manhã do dia 6, após o fracasso de investidas contra o Palácio do Governo e o Quartel General da 8.ª Região Militar, os revoltosos tomaram a estrada de ferro para Bragança, de onde pretendiam unir-se aos seus companheiros no Maranhão. A viagem era longa e difícil e pouquíssimos chegaram ao destino. O líder, o tenente do Exército Ismaelino de Castro, foi preso em Viseu no dia 19. Os legalistas reforçaram Belém e censuraram a imprensa, mas as notícias de vitórias revolucionárias em outros estados, incluindo o Maranhão, ainda chegavam ao conhecimento do povo. Em território revolucionário, a "Brigada Norte" de Landri Sales prepara uma expedição para conquistar o Pará, mas a batalha foi evitada pela instauração de uma junta militar no Rio de Janeiro em 24 de outubro. Após uma breve transição, chegava ao poder Magalhães Barata, que seria a figura predominante na política paraense dos próximos anos.
Fontes: pt.wikipedia.org
=== Cenário político local === Nos anos antecedentes à Revolução de 1930, o Pará vivia em crise intermitente por conta da baixa no preço da borracha, o eixo da sua economia, que era voltada à exportação. As dívidas pareciam inescapáveis. A pecuária, agricultura e indústria eram pouco desenvolvidas e o sistema de aviamento, predominante na economia extrativa, mantinha os pequenos produtores em profunda dependência. Os serviços públicos minguavam por falta de recursos. Na política, as práticas eram típicas da Primeira República: oligarquias dominantes perpetuavam-se com perseguições e fraude eleitoral. Alguns setores insatisfeitos buscavam uma alternativa política nos militares, especialmente entre as classes médias urbanas, empurradas para a pobreza, e segmentos das elites que não estavam no poder. Seu ideal revolucionário era basicamente liberal. No campo militar, Belém sediava o 26.º Batalhão de Caçadores (26.º BC) do Exército. Os estados do Pará, Amazonas, Maranhão e Piauí compunham a 8.ª Região Militar (8.ª RM). A oficialidade nos batalhões de Belém e Manaus, conforme relatório do comandante regional, era "constituída na quase totalidade [...] de oficiais removidos inoportunamente para a Amazônia, como indesejáveis em outros pontos do país e que vinham eivados de ideias subversivas". Desta forma, em julho de 1924, paralelamente às revoltas tenentistas em São Paulo, no Amazonas e em outras guarnições, o 26.º BC revoltou-se, mas foi derrotado pela Força Pública.
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O Forte de Óbidos, no interior paraense, aderiu aos militares rebeldes do Amazonas, que seriam dispersos após a chegada de reforços federais. A capacidade da Força Pública de derrotar a guarnição federal é também típica da Primeira República, na qual tais instituições funcionavam como "exércitos estaduais". O governador eleito para o período de 1929 a 1933 era Eurico de Freitas Vale, considerado um líder prudente e tolerante, que abandonou as violências à oposição. Entretanto, sua boa imagem não era suficiente para salvar do descrédito o sistema político. A aceitação ao governo Eurico Vale coexistia com a vontade de mudança a nível nacional. O grande propagandista do que viria a ser a Revolução de 1930, que encerrou a Primeira República, foi o jornalista Abel Chermont, diretor do jornal oposicionista O Estado do Pará. A Folha do Norte, de Paulo Maranhão, havia feito oposição aos governos anteriores, mas agora apoiava Eurico Vale.
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A maioria dos governos estaduais, incluindo o paraense, alinharam-se ao governo federal de Washington Luís para apoiar a candidatura de Júlio Prestes na eleição presidencial de 1930. Dizia-se que Eurico Vale poderia ser nomeado ministro no gabinete de Júlio Prestes, possivelmente na Fazenda. O processo eleitoral viciado da Primeira República deu vitória ao candidato governista. Ainda antes da eleição, o candidato oposicionista e governador do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas, iniciou contatos com militares revolucionários, presos ou exilados, visando um movimento armado contra o governo. Além dos militares, a conspiração estendeu-se a políticos de renome. No Norte e Nordeste do país, o chefe militar revolucionário era o capitão Juarez Távora. No Pará, o líder da conspiração era Abel Chermont. Outros conspiradores civis eram Abelardo Conduru e o padre Leandro Pinheiro. No Exército, conspiravam os tenentes Osmar Pacheco Dilon, Mário Machado, Emanuel de Almeida Morais, Ismaelino Sarmento de Castro e Luís Geolás de Moura Carvalho. Na Flotilha do Amazonas, conspiravam os oficiais da Marinha Eurico de Castilhos França, Álvaro Cabo e Rogério Coimbra. O chefe militar do movimento seria Magalhães Barata, oficial paraense, veterano do movimento de 1924 no Amazonas. Barata vivia no exílio no Uruguai até retornar ao Brasil via Rio Grande do Sul alguns meses antes da revolução.
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